Aqui não há chefe

Com um alarmante despertar cuspido a vermelho vivo na parede da base (“Atreve-te”) e espalhado pelo seu chão (tralha da vandoma que dava a sensação de estarmos a entrar (???) numa lixeira, o Lost e a Lostina realmente lostados ali no meio… enfim, uma bagunça chocante como se tivessemos sido atingidos por um tremor de terra, um tremor de terra que esvaziou no nosso chão toda a tralha, material, lembranças dos caixotes e placares), o clã teve uma reunião de emergência na sala de direcção para tentar recuperar uma orientação há muito desviada.


“Não há cadernos de caça?” perguntou Mariana ao sentar-se com uma espada de brincar na mão decretada anteriormente como a espada da palavra (só quem a segura pode falar).
“Há. Caneta de caça é que não há.” Respondeu Jorge Sereno. Depois de um pequeno assalto aos estojos de alguns, sentimo-nos aptos para prosseguir.
Pedro Nuno trouxe um croissant com fiambre para a mesa de reuniões e ausentou-se. Grande erro. Imediatamente o fiambre foi substituído por lenços de papel (limpos vá!) e guardado num guardanapo. Receando a volta do Pedro Nuno, tivemos um momento de questionamento: onde pomos o guardanapo com o defunto Babe?
As prateleiras de medalhas sorriam atrás de nós e pronto, lá demos companhia aos vários reconhecimentos de agrupamento, melhor dizendo “afiambrou-se” as ditas medalhas. Oh terrível geração, só tu tratas as secção de medalhas do agrupamento como uma arca frigorífica.
Pedro Nuno regressou e nós convencemo-lo a tricar o seu croissant. Devagar mas esfomeado levou a iguaria à boca e deu uma grande trinca. Os seus olhos alarmaram-se ao detectar um estranho sabor a seco… estaria o fiambre assim tão estragado? Seriam os deuses tão cruéis? Olhando para dentro do croissant detectou a ausência de fiambre e a presença de lenços.
Explodiu a bomba de riso que fez o Nandão perguntar de fora da sala:
“Tamos na feira?”
A esta questão insurgiram-se três respostas:
“Vai à missa.” respondeu Carvalho.
“Vai à base” respondi. Recebendo olhares estranhos do meu clã, acrescentei “Então se é feira.”
Marcos optou por uma resposta mais lógica e madura “Não tens espada, não podes falar.”
A reunião decorreu a um ritmo normal e depois de se arrumar a tralha da base, foi transferida para o exterior para se tratar da actividade final.
Mariana deu algumas delegações em relação ao Escuto-Rock a Ema: “Mete no mail kunami, funini e tal…”
Depois de Ema se retirar no seu Escuto-móvel, Isabel veio até nós preocupada e com muita razão, apontando que no parque de estacionamento Ema não devia acelarar tanto pois os lobitos e os exploradores brincam ali. Isso levou a um momento de parvoice sobre velocidades:
(Aviso: esta conversa foi toda a gozar. Os Caminheiros preocupam-se verdadeiramente com a situação e quando lerem isto o Ema já levou o seu puxão de orelhas da nossa parte e já foi instruido para ter cuidado. Os Caminheiros não apoiam jogar bowling de carro com Exploradores e Lobitos…. nem com Pioneiros. Caminheiros não apoiam o atropelamento de nenhuma secção)
“Lá porque uns de nós conduzem como avózinhas.” Apontei para Jorge Pérola.
“Ele tem irmãos aqui” disse Daniel com um ar inocente
“És responsável” rejubilou Isabel
“Não… o carro dele é que não dá para mais” expliquei.
Jorge acenou “É verdade.”
“Quando virem o Emanuel passem-lhe a mensagem” instruiu Isabel
Seguiu-se um interrogatório de Daniel para descobrir o mês em que eu nasci:
“Quando fazes anos? Janeiro”
“Dezembro” respondi
“Fevereiro?” Tentou novamente. Olhei para ele com uma expressão de O que raio…? e respondi novemente “Dezembro.”
“Março” afirma entusiasticamente.
“Dezembro!” respondo abrindo os braços.
“Ah Dezembro!” ri-se “Ihhh Eu ia continuar. Nunca mais ia chegar lá!”
Ok. Clássico Dani.
Pioneiros decidiram jogar futebol no nosso local de reunião. Com o meu relativo azar de jogos nos terrenos escutistas, não foi surpresa quando cinco minutos de jogo já a bola voava na minha direcção. No entanto, anos de acidentes idiotas deram-me prática para escapar a um destino doloroso e consegui desviar-me a tempo.
“A Mafalda viu a vida a passar-lhe à frente” comenta Jorge Pérola.
Marcos decide juntar-se ao jogo e eu decido não abusar da sorte:
“O Marcos com a bola! Nãaaaaaaao!”
(Aviso: Brincadeira, o Marquitos jogava futebol aos Domingos e tinha jeito, que dizer tem jeito e isto é uma piada antiga porque nós somos mauzinhos às vezes. Ele joga bem! A sério!)
Acaba a reunião de actividade final e Jorge Sereno manda um comentário: “Nunca avançamos tanto no trabalho.”
Mando-lhe um dos meus olhares incrédulos “Não fizemos nada. Como é que nunca avançamos tanto?”
“Exactamente.” acena Jorge Sereno.
Os exploradores reunem, mais especificamente competem entre si numa corrida para o local de encontro (como nós faziamos antigamente).
“Debandada!” Anunciei “Pandas! Pandas! Eu sou imparcial. Pandas!Pandas!”
“Patrulha Panda, Crau.” Oh, magnífico grito.
“Toma, chegamos primeiro” festejei
Pioneiros continuam a jogar ao meiinho com a bola. O grito de Sérgio, “Mostrem os dentes”, despertou curiosidade em mim e em Jorge Pérola.
“Quem tiver aparelho vai ao meio” grita Sérgio.
Jorge Pérola e Eu trocamos um olhar aparvalhado.
“Esta forma de discriminação desconhecia” admite Jorge
Mafalda Ferreira

Posted on 14 Junho '08 by Nunomdc, under Actividades.

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