24 insanidades em Valongo
O que acontece quando se juntam as secções dos Pioneiros, Caminheiros e as suas igualmente loucas equipas de animação no Sanatório de Valongo?… 24 razões para repeti-lo.
1. Promoção especial dos Caminheiros: “Podíamos propor um negócio aos pais: por um preço módico, perdíamos os Pioneiros no monte.” André
2. Trio Maravilha: Os Pioneiros foram divididos em três grupos… Tutti-frutti (Rita, Ticha, Sara, Felipe, Mateus), Mix (Inês, Marta, Tico e Telmo) e Reis (Zé Miguel, Naf, Sandro, Filipa e Joana).
3. Orientação para tótos: Perante a questão do André (“Alguém tem dúvidas sobre Cartas de Orientação?”), o Damasco da Tutti-Frutti/Mateus deu um passo em frente. Consciente do meu papel de “irmã” mais velha, decidi começar pelo mais básico dos básicos (“O Norte é a seta grande!”). Não sei bem porquê mas o André optou por me pedir delicadamente para lhe conceder o lugar de instrutor (“Xiu! Jornalistas…”). Mas era algum segredo de Estado?!
4. Be Prepared: André pediu para dar uma olhadela às bússolas dos Pioneiros, porém cometeu um erro ao não usar o singular, tendo sido rapidamente corrigido pela Inês (“Não há plural! Só há essa”). Uma bússola para três grupos que partirão separadamente com intervalos de 30 minutos… humm… ainda bem que trouxemos algumas de reserva…
5. Lost (os verdadeiros): Luís e Marcos ligam-nos da estação onde os Pioneiros supostamente sairiam do comboio. Pois… um pouco confusos, foram parar à estação de Valongo em vez da de Recarei… o quê? Tinham mapa e bússola? O telemóvel do Luís tem GPS? Desculpa? Não devo ter ouvido bem… (Em toda a justiça, o Lu esqueceu-se do telemóvel em casa, mas ainda assim). O erro custou-lhes a alcunha de “os artolas que se perderam em Valongo”.
6. Cruz de Mulher: Ana João analisa previamente o panorama que nos esperava nessa noite e fica escandalizada (“Vamos aturar o André, e depois o André, o Luís e o Marcos!”). Ninguém merece. Só mesmo paciência de Santas para sobreviver a esta noite. (“Vamos ser canonizadas. Sta Mafalda do Salto e Sta Ana da Cova.” Mafalda/ “Da Cova?” Ana/ “Preferias ser das Farpas? Farpola?” Mafalda).
7. Direcções mixadas: O André decidiu ignorar os meus constantes avisos de não interrogar pessoas àquela hora da noite (“Sabe-se lá que maluquinho nos aparece?”). Como dizia, ignorou os meus sábios conselhos e foi pedir direcções a um senhor que surgiu do nada. O homem estava num estado que faria do próprio Dionísio (o deus grego do vinho) um modelo de sobriedade. A primeira pista foi quando o desconhecido deu uma olhadela ao interior do carro e perguntou com uma voz arrastada ao André: “Vai sozinho para lá?” (Estavam quatro pessoas naquele carro). Seguiu-se uma inexplicável sucessão de palavreado num dialecto inteligível para o comum mortal. O André, educadamente, tentava agradecer e arrancar mas o bom senhor parecia fazer questão de querer saber todos os pormenores da nossa viagem e não se movia. Ah como é que se diz? Eu bem te avisei?!
8. Aranhas nocturnas: A Ana João foi a primeira a dormir nessa noite. Para falar verdade, adormeceu pouco depois de deixarmos a estação de comboio. Em breve, Tico seguir-lhe-ia o exemplo. No fim, só eu e o André restava-mos para levar a carrinha para a Ponte do Couce, onde Marcos e Luís já estavam a dormir profundamente no carro “Andorrinha”. Finalmente, quando os quatro elementos do carro estavam a dormir profundamente, Ana João dá uma pancada no ombro de André e anuncia: “André, matei uma aranha!”. André ficou possesso mas eventualmente satisfeito, pois acabou por arranjar uma melhor posição para dormir. Eu, depois de um momento de estranheza, voltei a dormir. Na bela manhã seguinte, Ana (quando finalmente acordou) disse alegremente: “Sabem, ontem à noite sonhei que matei uma aranha”. Não digas! A sério? Não tínhamos reparado em tal coisa!
9. Abano matinal: Luís põe-se a abanar a carrinha de manhã numa tentativa de acordar a Ana João (Não conseguiu! Nada acorda a rocha!). Decidi dar-lhe um aviso ao avistar André ao longe (“Se o André te vê a fazer isso, mata-te!”). Ele, despreocupado como sempre, continuou a abanar (“Não porque ele é o meu padrinho!”). Ao ver a cara de André ao deparar-se com Luís a abanar o carro, não consegui evitar abanar a cabeça e sorrir (“Continua a dizer-te isso Lu! Continua a dizer-te isso…”)
10. Traumatizando Adolescentes: Deixámos o Tico com Marcos e Luís antes de partir. Música à Lu soava alta do seu carro; Marcos estava a executar uma dança… sem comparação possivel, uma dança à Marcos mesmo; e Luís estava a agir à… bem, à Luís. Tico trocou um olhar inseguro connosco enquanto arrancávamos. (“O Seguro escutista vai ter de pagar a terapia do Tico… as sessões todas.” Mafalda)
11. A bela da Capela: A capela ao lado do Sanatório de Valongo estava num estado degradado, cheia de manchas de tinta e outra substâncias, das quais não quis, nem quero imaginar a origem… No entanto, o que chamava a atenção era o odor. O belo aroma a cão morto em pura decomposição infestava-nos as narinas agressivamente. Suposições foram feitas. (“Cheira a cão morto” Marcos/ “Cheira mas é a bulldog.” Tiago/ “E o Bulldog é um camelo não?” Marcos).
12. Bombeiros, bolhinhas e doces: André, Nuno e eu fomos aos bombeiros encher bidões. Visão logo à chegada: Bombeiro com um chupa-chupa encostado à parede (fixe ah?). Entrando no quartel percebemos que não era o único. Aparentemente lá o doce era um elemento unificador. Adiante, o André saiu da pick up, lançando um último olhar reprovador para trás, já que eu e Nuno estávamos a gozar do elemento unificador algo infantil. Decidi fazer algo igualmente infantil para os bombeiros simpatizarem connosco. Enquanto André, muito direito e sério, falava com o bombeiro, bolinhas de sabão começaram a passar por eles (já mencionei a minha super prenda de anos para fazer bolhinhas? Obviamente era eu a fonte das incautas esferas de sabão). O bombeiro nem reparou nelas, nem mesmo quando uma o seguiu para dentro do quartel. Já André, quando o bombeiro lhe deu as costas, virou-se para mim com um olhar escandalizado de quem pergunta “Então?!”. O quê? Encolhi os ombros inocentemente. É fixe!
13. Para cantar somos os primeiros: Eu e Marcos começamos uma sessão de canções nos Walkie-Talkies, sendo ocasionalmente interrompidos por um irado Pedro Nuno a dizer que aquilo não era um brinquedo. (“Kumbaya, My Lord, Kumbaya.” Mafalda/ “I just call to say: I love you.” Marcos).
14. Mas nós temos cara de cadeia de Fast food ou quê?: Mateus aproximou-se dos Caminheiros à hora de jantar e fez um pedido estúpido. Vá, não há outra definição possível para este pedido. (“Queria dois cheeseburgers!” Mateus/ “Dois pares de estalos para o Mateus” Marcos/ “E um pontapé na virilha!” Mafalda/ “Não. Um pontapé na bunda!” Mateus/ “E um pontapé na bunda” Marcos/ “Excelente escolha, Mateus” Mafalda/ ”Porquê? É uma promoção?” Mateus).
15. “De vencer paixões e vícios”: Ana João trouxe Doritos e deixou o pacote ao lado da panela. Enquanto falávamos, as duas petiscávamos. Como sempre, isto deu para o torto. É que aquilo sabia mal mas era altamente viciante (“Ai, que horror” Mafalda/ “Sabe mal não é?” Marcos/ “Isto é horrível! Porque é que eu não consigo parar de comer?“ Mafalda).
16. Sketchs azuis: A equipa do Reis apresentou um momento musical a descrever o acampamento de forma divertida (“Rapsódia”); A equipa Mix apresentou a sua versão do rap dos Dragões da Ribeira (com uma dança expressiva da Inês para acentuar o ridículo); A equipa Tutti-frutti fez uma dança de guerra muito incrível (“Ahh Somos as frutas… Há pevide, há pevide, há pevide… Há suminho, há suminho, há suminho… Vitaminas, doçura e frescura… Temos polpa… Muita polpa… Temos suco… Muito suco… Somos os Tutti… Frutti… Aaaaaahhhhh”).
17. Bolhinhas nocturnas: Enquanto a chefia e os caminheiros reuniam para discutir os últimos pormenores do jogo nocturno saquei da cena das bolhinhas e comecei a soprar. Mariana, que ainda não tinha sido apresentada a esta bolho-mania, simplesmente rendeu-se aos encantos das bolhinhas… (“Isso é completamente insuportável!… Adorei! Faz mais!” Mariana). Uma das bolhas arrebentou na cara do Miranda deixando o dirigente dos pioneiros atordoado por uns segundos, numa expressão que arrancou uma gargalhada a toda a gente. De seguida lançou-nos um olhar que prometia uma terrível vingança…
18. Malucos Nocturnos: Estávamos já dentro do sanatório, de roupas escuras e lanternas na mão, cada um situado diante de uma janela do primeiro andar. Os pioneiros de olhos vendados alinhavam-se diante do Sanatório. Tudo estava pronto. De repente um grito corta a noite e uma voz tenebrosa começa a falar em termos algo satânicos. As raparigas do clã trocaram breves olhares (“Não são eles pois não?” Mariana/ ”Não.”/” Quero sair daqui! Quero ir lá para fora” Ana/ ” Não saias daqui. Ele está lá fora!” Mafalda). O mistério foi solucionado: uma equipa de filmagens que queria gravar no sanatório e na capela à noite e um actor a ensaiar a voz.
19. Alvorada, Alvorada: As raparigas do clã acordaram primeiro. Mariana foi a primeira a sair da tenda e foi acordar os rapazes. Vendo o tempo passar, fui espreitar à tenda deles, encontrando-os a preguiçar em conjunto (“Vamos acorda-los” Mafalda/ “Hey calma Mafalducha” Tiago Carvalho/ “Está bem. Olhem, eu vou acalmar ali para a tenda e depois vocês chamam-me quando estiverem prontos, okay?” Mafalda)
20. GAM (Vá lá, vocês sabem o que quer dizer…): Luís coordena a ginástica (“Agora abrir e fechar” Luís/ ”Pioneiros não olhem!” Mariana). A descer o monte a correr, Marcos executava uma corrida algo engraçada, com os braços para trás. As jovens do clã ficaram para trás a observá-los. Como não podia deixar de ser, seguiu-se o disparate de imitações, capturando as posições em fotos bastante embaraçosas (“Vamos correr à Luís!” Ana/ ”E agora à Paulo Matos!” Mariana). O culminar desta sessão foi mesmo a dança do Tutti-frutti.
21. Avaliação Chinese: Mariana tentou ler alto aos pioneiros os itens de avaliação, porém a letra rápida de Ivone rivalizava de perto com a dos médicos. (“Consegues ler isto?” Mariana/ “O papel de… qualquer coisa…” Mafalda/ “Lê tu, Ivone!” Mariana/ “Se eles estivessem atentos à chefe…” Ivone/ “Se a chefe não escrevesse em código Morse…” Mafalda)
22. Escutismo para as Mulheres: A população feminina do clã 9 terminou de desmontar as suas tendas primeiro, o que lhes valeu o direito de um grito de guerra: “Gajas ao poder!”. Os rapazes do clã finalmente acabaram de desmontar as deles e guincharam: “GAJAS AO PODER!”. Sorri-lhes: “Eu sabia que vocês iam reconsiderar.”
23. A Saga da Panela: A equipa de Rita (erro de medidas ou não) fez uma panela cheia de arroz, deixando-a parcialmente cheia. Mateus, incumbido de dar um destino ao arroz para se poder lavar a panela, veio ter com os mais velhos. Gru defendeu que não se devia deitar comida fora. O jovem pestanejou confuso. O que fazer? Levar para casa? Eu aconselhei-o a comer o arroz às colheradas na brincadeira. No entanto, o jovem decidiu que a sugestão tinha mérito e apressou-se a executá-la. (“Eu comer como, mas depois vão ter de me levar ao colo ou a rebolar” Mateus). Apoiamos a sua decisão e ele atacou a panela para espanto de Gru e Magda. Já nós, Caminheiros, apoiamo-lo incondicionalmente. (“Força Mateus”/”Oh Mateus… Pára lá com isso!” Magda/ “Então Magda, deixa-o comer” Carvalho/ “Tás a negar comida aos teus pioneiros? Tem vergonha!” Mafalda/ ”Desde que não vomite.” Tiago Carvalho/ “Eu não vomito” Mateus/). Quando pensámos que nada o impediria de concretizar o seu destino, Rita surgiu exigindo a panela vazia para lavar. (“Eu não te disse para te livrares disso? Tens um minuto! Não me importa se comes ou não! Um minuto!” Rita). Eventualmente desistiu e tirou-lhe a panela. Uns segundos depois, Mateus voltou com a panela na mão, disposto a continuar. Os Caminheiros foram muito prestáveis no dilema do jovem. (“Vou-te dar apoio moral e quando não conseguires, seguro na colher.” Carvalho/ “E eu seguro-te na cara.” Mafalda). Apesar de satisfeito com este desafio, Mateus temia as represálias da guia quando ela descobrisse que ele estava de novo às voltas com a panela de arroz (“Oh Mateus… já passou um minuto.” Tico/ “Empatem a Rita!” Mateus/ “Rita, perdeste um brinco na Sibéria.” Mafalda). Mas ela encontrou-o e ficou estupidificada com o cenário de Mateus a comer da panela novamente (“Ainda é a nossa panela?! Mas eu dei-a à Ticha!” Rita/ “Fui buscá-la” Mateus). No fim, Rita ganhou. Porém, Mateus mostrava-se orgulhoso com a sua façanha: “Viste Gru? Ainda comi um pedaço. Tá muito mais vazia.”
24. Deixar as insanidades para trás: Preparados para deixar Valongo apercebemo-nos que faltavam Luís e Marcos. Uma busca rápida revelou-os algures no meio da relva a olhar para o chão. (“O que estão eles a fazer?” Mafalda/ “Estão a plantar bolotas” Carvalho/ “Não, a sério” Mafalda/ ”Estão a plantar bolotas. Eu perguntei e eles disseram: Vou plantar bolotas!” Carvalho/ “Okay…” Mafalda). Eu e o Nuno fomos ter com os dois anciãos do clã para tirar dúvidas. Marcos passeava-se com uma flor na mão (“Para que é a flor Marcos?” Mafalda/ ”Florzinha de cheiro” Luís). Decidi largar o assunto ao ouvir a alcunha de Walkie-Talkie do Marcos e tentei tirar a grande dúvida. (“O Tiago estava sob a impressão que vocês estavam aqui a plantar bolotas… querem explicar?” Mafalda/ “Deviam ter ido ao S.Jorge.” Luís/ “Mas o que estão a fazer?” Nuno/ “Deviam ter ido ao S.Jorge.” Luís). Eu e Nuno trocamos olhares cansados e voltámos para junto dos outros, deixando os mais velhos a seguir-nos. “É o que ganhamos por nos preocupar-mos com eles.” Suspirei. “E com a sua estupidez” acrescentou Nuno.
Mafalda Ferreira

15 Comments to “24 insanidades em Valongo”